Vai faltar dinheiro para financiar imóveis em 2014

13 de agosto 2010

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A procura da classe média pela casa própria vai puxar o crescimento do setor até 2016, mas os recursos da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) não serão suficientes para atender à demanda. A Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) diz que até 2014 os recursos disponíveis para construção e produção imobiliária devem superar aquilo que é captado pelas duas fontes.

Luiz Antônio França, presidente da Abecip, diz que o setor tem crescido porque hoje os consumidores têm mais renda, mais emprego, e as perspectivas de crescimento da economia são boas. A segurança jurídica dos financiamentos também animou as construtoras a se voltarem à classe média.

– Nossos estudos mostram que de dois a três anos teremos problemas de captação para o crédito imobiliário, não porque a poupança vai secar, mas porque a demanda será maior que a captação.

Poupança e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) são as modalidades mais usadas atualmente para emprestar dinheiro aos compradores.

Nas previsões do economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a classe C vai precisar de 1,489 milhão de unidades nos próximos seis anos. Ele descarta uma bolha no mercado, mas reconhece que o setor está bem aquecido.

– A demanda vai continuar crescendo daqui pra frente. Como ficamos 20 anos parados no mercado, hoje a procura por imóveis é muito intensa. Não vejo uma bolha, mas vão faltar recursos.

Pelas estimativas do economista, a demanda imobiliária média entre 2010 e 2016 será mais intensa na classe média, mas crescerá também nas classes A e B. Barros estima que as duas camadas sociais precisem de 50 mil e 178 mil unidades, respectivamente, além do que é produzido hoje.

A ascensão social da baixa renda fará com que a demanda das classes D e E diminua: serão necessárias 348 mil unidades a menos do que é feito atualmente.

Segundo os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Fazenda, a classe média deve passar das 113 milhões de pessoas até 2014.

Recorde de crédito

Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (11) pela Abecip, os empréstimos para a compra da casa própria com recursos da poupança bateram recorde entre janeiro e junho deste ano.

Foram concedidos R$ 23,8 bilhões (77% a mais do que no mesmo período do ano passado), para financiar 187,6 mil imóveis (51,5% acima do que no 1º semestre de 2009). A poupança, por sua vez, teve captação líquida – a diferença entre o que entrou e o que foi sacado – de R$ 8,8 bilhões nesta primeira metade do ano.

Até junho, o saldo dos depósitos da poupança, a forma mais barata de crédito imobiliário disponível hoje, ficou na casa dos R$ 270,1 bilhões. Um ano atrás, esse número estava em R$ 224,5 bilhões. A previsão é de que, até 2014, o montante requerido para o crédito habitacional passe dos R$ 520 bilhões de saldo.

Na opinião do ex-secretário da Fazenda, o problema para captar recursos vai forçar os bancos e outras instituições a buscarem formas alternativas de conseguirem dinheiro para investir em habitação.

Uma das principais é unir o mercado imobiliário ao de capitais, por meio de um negócio chamado securitização. O processo permite que os bancos “troquem” suas dívidas de financiamentos (de longo prazo) por dinheiro na hora, ao emitir papéis como títulos de renda fixa (CRI, ou Certificados de Recebíveis Imobiliários) que podem ser comprados por investidores.

Fonte: R7

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