Perspectiva de estabilidade dos preços dos imóveis

17 de janeiro 2011

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Depois da forte alta de 2009, os preços dos imóveis tendem à estabilidade, avalia o sindicato da construção (Secovi). “As construtoras já estão detectando que lançamentos com preços “mais ousados” estão sendo vendidos com menos velocidade, o que aponta para a acomodação”, disse o presidente do sindicato, João Crestana. Confirmada a tendência, é um indicador positivo do mercado imobiliário, pois a demanda cresceu demais e passou-se a temer o risco de bolha no setor, com efeitos danosos para as empresas, os compradores e a economia.

Entre janeiro e novembro de 2010 foram comercializadas 31 mil unidades novas na cidade de São Paulo, mil a mais do que no ano de 2009. Se as vendas atingirem 36 mil unidades até dezembro, como estima o Secovi, o crescimento terá sido de 20% em relação a 2009, abaixo do recorde de 39 mil, em 2007. Na região metropolitana de São Paulo, foram comercializados 57 mil imóveis novos, menos do que o recorde de 63 mil, de 2008.

Predominaram os lançamentos de imóveis de dois dormitórios (48%), seguindo-se os de três dormitórios (31%). Em 39% dos imóveis vendidos, a área útil oscilou entre 46 m² e 65 m², confirmando a tendência de redução da área em decorrência dos aumentos de preço. Unidades com 66 m² a 85 m² representaram 22% das vendas. Na capital, se dependesse apenas da demanda, o volume de vendas de 2010 teria sido maior. As construtoras e incorporadoras enfrentaram dificuldades para ampliar o número de lançamentos, por causa da escassez de lotes.

Além da capital e região metropolitana, é certo que o crescimento da oferta e das vendas foi maior no interior, onde a disponibilidade de áreas a custos mais baixos permite atender os mutuários de baixa renda, interessados nos subsídios do programa federal Minha Casa, Minha Vida.

Preços estáveis favorecem muito os compradores, que podem adquirir a casa própria sem açodamento, ou seja, sem o risco de aquisição por impulso. Para as empresas, 2011 poderá ser menos difícil para a aquisição de áreas, objeto de verdadeiros leilões, nos últimos meses, elevando artificialmente os preços dos terrenos mais disputados.

Mais emprego, renda e crédito sustentaram os avanços do setor, em 2010. É, de fato, provável que a euforia tenha ficado para trás, justificando a afirmação do economista Affonso Pastore de que o aumento de preços dos últimos anos não foi anomalia. “Anômala era a situação anterior, em que não havia crédito”, disse Pastore em entrevista ao Estado.

Fonte: Estadão

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